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O trabalho em equipa

O trabalho em equipa é desenvolvido tendo como ponto de partida um projecto definido. A equipa é formada por um conjunto de parceiros em interrelação constante e o seu sucesso depende do trabalho de cada um dos porno.

Mucchielli ( 1980 ) caracteriza equipa como ” grupo primário em que as relações são directas ( cada um conhecendo os outros, podendo se dirigir ao outro sem intermediário,… ) e onde reina uma unidade de espírito e de acção. ” ( Pág.11 ).

A caracterização de uma equipa obedece a algumas características metodológicas. O número de elementos ou membros da equipa deve corresponder à exigência de eficácia do trabalho a desenvolver. O método de trabalho é dinâmico e cooperativo, estimulando o estabelecimento de vínculos interpessoais, o envolvimento pessoal e a unidade entre elementos. A natureza do trabalho de cada elemento é o voluntariado dirigido para um objectivo colectivo e desejado, baseado na especificação e especialização de tarefas.

O sucesso do trabalho em equipa depende do trabalho de cada um dos elementos. Para que o trabalho em equipa seja eficaz ” cada um dos seus membros deve estar consciente das motivações subjacentes dos outros e querer que os outros atinjam os seus fins tanto quanto ele. ” ( Mucchielli, 1980, Pág.34 ).

Cada membro da equipa é responsável pelo trabalho desenvolvido individualmente, contribuindo para a responsabilidade colectiva, perseguindo sempre o sucesso. Para o atingir é necessário ultrapassar obstáculos como a diferença de atitudes, julgamentos de valor e contestação de comportamentos. A ultrapassagem destes obstáculos assegura um elevado grau de coesão da equipa.

A equipa obedece, em geral, a uma estrutura hierárquica. Há um chefe de equipa que detém ” necessariamente… um certo poder no nível do projecto como objecto global do trabalho da equipa.” ( Ramos, 1992, Pág.14 ).

Em todas as fases do trabalho, o chefe de equipa procurará promover o envolvimento dos seus membros no trabalho conjunto.

Analisando numa perspectiva de formação, o formador funcionará como líder da equipa. A sua tarefa reside na necessidade de supervisão e orientação dos membros da equipa, no desempenho de tarefas e em busca do objectivo colectivo. A sua função de liderança deve, no entanto, ser subtil e liberal nas atitudes, determinada nas decisões e de controle e concertação em caso de conflito interpessoal.

O trabalho de projecto é uma proposta pedagógica actual e muito debatida na realidade actual da formação / educação. É uma proposta pedagógica a realizar em equipa, virada para a resolução de problemas de interesse no processo ensino – aprendizagem. Os primeiros passos desenvolvidos na sentido de divulgar o método de aprendizagem baseado no projecto parece terem sido dados por Kilpatrick através do livro que ele publica com o mesmo nome, The Project Method. ( Costa, 1991 ).

Para Figari ( 1991 ) referenciado por Botelho (1994 ),

” a noção de projecto em educação envolve quatro características :

1- O projecto representa um modo de pensar a educação em termos de plano e não exclusivamente de programa, ou seja, mais no sentido de uma globalidade que de uma especificidade;

2- A prática do projecto reconhece no aluno um sujeito autónomo face à sua própria aprendizagem;

3- Essa mesma prática supõe uma diferente partilha do poder e do saber entre o professor e o aluno;

4- O projecto, seja obra de um grupo ou de acção individual, põe em evidência a actividade da(s) pessoa(s) em situações de aprendizagem na apropriação dos conhecimentos. ” ( Pág.35 )

Para Legrand ( 1982 ) referenciado por Leite e outros (1992), a origem do projecto pode partir do professor / formador ou do aluno / formando. No entanto, o empenhamento voluntário que o aluno põe no projecto é fundamental para o seu sucesso. Este empenhamento voluntário pressupõe, como é natural, um grande investimento afectivo pessoal, transformando o aluno no principal actor do processo ensino – aprendizagem.

Com o trabalho de projecto o aluno desenvolve capacidades de :

– autonomia

– criatividade

– socialização

O trabalho de projecto

O trabalho de projecto encarado individualmente tem limitações à sua execução. A divisão do trabalho não deve ser uma imposição, mas sim gerida pelos alunos. Se a iniciativa partir dos próprios alunos / formandos contribui para que estes invistam mais no seu trabalho. O trabalho de projecto deve ser uma actividade planeada de uma forma flexível, de modo a poder sofrer alterações em qualquer momento do processo. A planificação e reorientação do trabalho é feita de acordo com todos os intervenientes, de acordo com as dificuldades encontradas.

O resultado final é uma obra-prima individual – representação objectiva do investimento do aluno. O trabalho orientado pela metodologia do trabalho de projecto é essencialmente um trabalho de relacionamento social aluno/grupo – professor, sem lugar de destaque para qualquer um deles, mas sim formando um todo.

Para elaboração, implementação e controlo de projectos ao nível do ensino há vários modelos sugeridos por vários autores. Vilarinho ( 1989 ) referenciada por Botelho ( 1994 ) propõe o seguinte esquema :

“- Definição do problema;

– Determinação dos objectivos;

– Determinação das necessidades, restrições e viabilidades;

– Levantamento e selecção de alternativas;

– Organização do projecto;

– Implementação do projecto;

– Resultados e avaliação do projecto;

– Feedback ou realimentação do projecto;” (Pág.36).

Leite e outros ( 1991 ) dão-nos outra perspectiva das etapas de desenvolvimento do trabalho de projecto:

” 1- Identificação / formulação do problema

2- Pesquisa / produção

3- Apresentação/ globalização/ avaliação final.” (Pág.75).

Na dinâmica do trabalho de projecto o Formador é um elemento do grupo. Assume as funções de coordenação e de informação, respondendo ás solicitações dos formandos. Não é o portador do saber inquestionável. Apenas ajuda, incita e intervém quando julga necessário.

O trabalho de projecto desenvolve as capacidades e qualidades de todos os intervenientes. Podemos enunciar algumas que Legrand ( 1982 ) referenciado por Leite e outros (1992 ) sugere :

– comprometimento e sentido de responsabilidade;

– capacidade de decisão;

– planificação e avaliação;

– espírito de investigação;

– espírito de colaboração;

– capacidade de se relacionar e comunicar com os outros.

O desenvolvimento dessas capacidades depende de técnicas diversificadas e adaptadas á realidade ambiental e pessoal.

Se for bem compreendido e realizado o trabalho de projecto proporciona satisfação e prazer em realizar um trabalho de interesse individual e colectivo.

Como refere Botelho ( 1994 ) citando Weber ( 1992 ) falar em projectos é ” ouvrir des champs nouveaux, de l’ordre du possible, c’est parler de ce qui est à inventer, à créer, qui n’est pas donné. C’est dire qu’il n’y a pas donné. C’est dire qu’il n’y a pas de modéle, et qu’il est possible de transformer l’existant.” (Pág.37).

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O Professor – Facilitador e animador da aprendizagem

Para Ramos ( 1993 ), ” A interacção social … é um dos motores da aprendizagem. ” ( Pág.11 ).

No entanto, não podemos conscientemente desvalorizar, neste contexto, a interacção educativa. A interacção educativa surge como modo particular, mais específico de interacção porno.

Aquilo que aprendemos na interacção social, na relações com outras pessoas, não desvaloriza a interacção educativa como um conjunto de actividades mais individualizadas carecendo de desenvolvimento mais específico, de estimulação própria e adequada. Podemos entender a interacção educativa como um processo de ensino – aprendizagem de habilidades e técnicas que conduzem a uma melhor interacção social.

Surgem-nos, na vida de relação, problemas que precisamos de aprender a resolver. Confrontamo-nos constantemente com conflitos e divergências, com competição, com dificuldades de consenso.

A aprendizagem de técnicas de comunicação, negociação, argumentação é exigível. A interacção educativa é o espaço privilegiado para esta aprendizagem. Através da criação de situações de aprendizagem com a participação activa dos alunos podemos ajudá-los a ” explicitar o que para eles é implícito, a ter em conta os saberes e estratégias do outro, a articular pontos de vista, a ultrapassar os conflitos cognitivos ou a resolver os problemas.( Ramos, 1993, Pág. 11 ).

 

O PAPEL DO FORMADOR / PROFESSOR

Conhecer a dinâmica de um grupo, as suas relações interpessoais é essencial para que o formador / professor leve a bom termo a sua tarefa. Segundo Berbaum ( 1993 ) ” A tarefa do formador, … , consiste em orientar as opções do formando em ordem a proporcionar uma maior eficácia.” e acrescenta ainda que ” é ambígua a distinção entre formando e formador, na medida em que o formando é também um ser em autoformação e desempenha, ainda o papel de formador, em relação ao formador ” em título “, que é forçado a adequar a sua acção às reacções daquele.”.( Pág.21 )

Para Enricone ( 1985 ) ” O ensino tem por objectivo provocar mudanças de comportamento e o Professor age sobre os alunos procurando orientá-los.” ( Pág. 172 ). O Professor deve para tal criar uma atmosfera favorável à aprendizagem dos alunos, adoptando o método ou técnica que julgue mais correcto ás características e necessidades dos alunos. Ser-lhe-á assim permitido ter mais espaço para orientar, facilitar e animar a aprendizagem, mais do que para a dirigir de uma forma autoritária.

Ao basear a sua acção de formador em métodos educativos activos, o Formador apreendeu decerto toda a técnica de gestão das motivações do grupo de formandos. Lesne ( 1984 ) caracteriza essas motivações como ” tensões afectivas, susceptíveis de desencadear e manter uma acção” e que, “dinamizam a pessoa em formação e tornam-na activa;… ” (Pág.105 ). O Formador deve conhecer e utilizar as motivações do grupo para facilitar a aprendizagem.

Para facilitar essa aprendizagem o Formador criará situações motivantes para os formandos, situações essas que devem estimular o grupo a descobrir o saber, o saber-fazer ou as atitudes que ele pretende ver desenvolvidas.

O Formador torna-se, segundo este ponto de vista, um gestor de relações interpessoais, no grupo. Ele deve preocupar-se ” com a participação franca, amistosa e inteligentemente equilibrada dos formandos.” ( Pesce, 1991, Pág.26). O Formador adoptará estratégias de acordo com as características do grupo de formandos, tendo em atenção alguns pontos como, a discussão animada dos assuntos, estimulação de atitudes de respeito e compreensão entre os formandos, entre outros. Contribuirá assim para aumentar a confiança que os formandos têm em si mesmos, facilitando a sua participação no processo ensino – aprendizagem.

Ao assumir o papel de facilitador da aprendizagem, o Formador procurará estimular os formandos a expressarem os seus pontos de vista. No entanto não faz sentido que ele esconda ou omita as suas próprias ideias a respeito dos temas discutidos.

De acordo com as tendências pedagógicas actuais o principal papel do Formador ” não reside nos conhecimentos e técnicas que transmite, mas na “semente” que lança para fertilizar o “terreno” ( Soeiro, 1992, Pág.27 ).

É nesta perspectiva que o Formador se torna um provocador, um animador do processo de formação. Ele estimula a emancipação dos seus formandos. Ajuda a pensar, e a descobrir o prazer do saber e compreender favorecendo o desenvolvimento e crescimento dos seus formandos.

Se a tarefa de animação das actividades de formação não for entendida pelos formadores, o desenvolvimento dessas actividades correrá risco de fracasso. Mas o que é necessário para que tal não aconteça ?

A tarefa de animador do processo ensino – aprendizagem incluí ” o estabelecimento e a manutenção de um ambiente, permitindo a melhoria das potencialidades individuais e do grupo, e trabalhar colectivamente com eficácia no sentido de atingir os objectivos da formação.” ( Ramos, 1993, Pág.12 )

Esta relação interactiva Formador – Formando, ao longo de todo o processo ensino – aprendizagem, inspirará e ajudará a atingir os objectivos pré-definidos para uma determinada situação de aprendizagem / formação.

Podemos resumir as principais tarefas, a desempenhar pelo Formador, na análise e resolução de problemas, e enquanto facilitador e animador do processo ensino – aprendizagem.

Enquanto facilitador do processo o Formador procurará, que os esforços do grupo sejam conjugados, que os elementos do grupo sejam mutuamente cooperantes, conhecer a fundo os processos de trabalho, participar na modificação ou reajustamento do processo sempre que o grupo sinta necessidade. Ele contribuirá, ainda, activamente para, a resolução de conflitos, e ajudará o grupo a ajustar-se à mudança e condicionantes do processo.

Ao desempenhar tais tarefas há, igualmente, que estar atento a alguns elementos fundamentais, como problemas de natureza pessoal e afectiva de um indivíduo e a sua influência no seio do grupo e na sua produtividade, aos efeitos que o grupo exerce no comportamento individual, ou ainda a comportamentos e atitudes mais específicas de alguns indivíduos como, dependência, submissão, apatia, medo, hostilidade ou agressividade.

O Formador deve , como facilitador e animador do processo ensino – aprendizagem, estar atento á manutenção da estrutura do grupo e dos seus objectivos de formação, estimulando a unidade, a interacção e a comunicação.

Para Ramos ( 1992 ) ” A arte de condução do grupo de formação exige que os formadores pensem em termos de indivíduos, de grupo-classe, da organização do sistema de formação e tudo o que diz respeito às suas relações.” ( Pág.13)