Blog Personal cerca de educação e formação
Showing posts with tag: motivações
professore

O Professor – Facilitador e animador da aprendizagem

Para Ramos ( 1993 ), ” A interacção social … é um dos motores da aprendizagem. ” ( Pág.11 ).

No entanto, não podemos conscientemente desvalorizar, neste contexto, a interacção educativa. A interacção educativa surge como modo particular, mais específico de interacção porno.

Aquilo que aprendemos na interacção social, na relações com outras pessoas, não desvaloriza a interacção educativa como um conjunto de actividades mais individualizadas carecendo de desenvolvimento mais específico, de estimulação própria e adequada. Podemos entender a interacção educativa como um processo de ensino – aprendizagem de habilidades e técnicas que conduzem a uma melhor interacção social.

Surgem-nos, na vida de relação, problemas que precisamos de aprender a resolver. Confrontamo-nos constantemente com conflitos e divergências, com competição, com dificuldades de consenso.

A aprendizagem de técnicas de comunicação, negociação, argumentação é exigível. A interacção educativa é o espaço privilegiado para esta aprendizagem. Através da criação de situações de aprendizagem com a participação activa dos alunos podemos ajudá-los a ” explicitar o que para eles é implícito, a ter em conta os saberes e estratégias do outro, a articular pontos de vista, a ultrapassar os conflitos cognitivos ou a resolver os problemas.( Ramos, 1993, Pág. 11 ).

 

O PAPEL DO FORMADOR / PROFESSOR

Conhecer a dinâmica de um grupo, as suas relações interpessoais é essencial para que o formador / professor leve a bom termo a sua tarefa. Segundo Berbaum ( 1993 ) ” A tarefa do formador, … , consiste em orientar as opções do formando em ordem a proporcionar uma maior eficácia.” e acrescenta ainda que ” é ambígua a distinção entre formando e formador, na medida em que o formando é também um ser em autoformação e desempenha, ainda o papel de formador, em relação ao formador ” em título “, que é forçado a adequar a sua acção às reacções daquele.”.( Pág.21 )

Para Enricone ( 1985 ) ” O ensino tem por objectivo provocar mudanças de comportamento e o Professor age sobre os alunos procurando orientá-los.” ( Pág. 172 ). O Professor deve para tal criar uma atmosfera favorável à aprendizagem dos alunos, adoptando o método ou técnica que julgue mais correcto ás características e necessidades dos alunos. Ser-lhe-á assim permitido ter mais espaço para orientar, facilitar e animar a aprendizagem, mais do que para a dirigir de uma forma autoritária.

Ao basear a sua acção de formador em métodos educativos activos, o Formador apreendeu decerto toda a técnica de gestão das motivações do grupo de formandos. Lesne ( 1984 ) caracteriza essas motivações como ” tensões afectivas, susceptíveis de desencadear e manter uma acção” e que, “dinamizam a pessoa em formação e tornam-na activa;… ” (Pág.105 ). O Formador deve conhecer e utilizar as motivações do grupo para facilitar a aprendizagem.

Para facilitar essa aprendizagem o Formador criará situações motivantes para os formandos, situações essas que devem estimular o grupo a descobrir o saber, o saber-fazer ou as atitudes que ele pretende ver desenvolvidas.

O Formador torna-se, segundo este ponto de vista, um gestor de relações interpessoais, no grupo. Ele deve preocupar-se ” com a participação franca, amistosa e inteligentemente equilibrada dos formandos.” ( Pesce, 1991, Pág.26). O Formador adoptará estratégias de acordo com as características do grupo de formandos, tendo em atenção alguns pontos como, a discussão animada dos assuntos, estimulação de atitudes de respeito e compreensão entre os formandos, entre outros. Contribuirá assim para aumentar a confiança que os formandos têm em si mesmos, facilitando a sua participação no processo ensino – aprendizagem.

Ao assumir o papel de facilitador da aprendizagem, o Formador procurará estimular os formandos a expressarem os seus pontos de vista. No entanto não faz sentido que ele esconda ou omita as suas próprias ideias a respeito dos temas discutidos.

De acordo com as tendências pedagógicas actuais o principal papel do Formador ” não reside nos conhecimentos e técnicas que transmite, mas na “semente” que lança para fertilizar o “terreno” ( Soeiro, 1992, Pág.27 ).

É nesta perspectiva que o Formador se torna um provocador, um animador do processo de formação. Ele estimula a emancipação dos seus formandos. Ajuda a pensar, e a descobrir o prazer do saber e compreender favorecendo o desenvolvimento e crescimento dos seus formandos.

Se a tarefa de animação das actividades de formação não for entendida pelos formadores, o desenvolvimento dessas actividades correrá risco de fracasso. Mas o que é necessário para que tal não aconteça ?

A tarefa de animador do processo ensino – aprendizagem incluí ” o estabelecimento e a manutenção de um ambiente, permitindo a melhoria das potencialidades individuais e do grupo, e trabalhar colectivamente com eficácia no sentido de atingir os objectivos da formação.” ( Ramos, 1993, Pág.12 )

Esta relação interactiva Formador – Formando, ao longo de todo o processo ensino – aprendizagem, inspirará e ajudará a atingir os objectivos pré-definidos para uma determinada situação de aprendizagem / formação.

Podemos resumir as principais tarefas, a desempenhar pelo Formador, na análise e resolução de problemas, e enquanto facilitador e animador do processo ensino – aprendizagem.

Enquanto facilitador do processo o Formador procurará, que os esforços do grupo sejam conjugados, que os elementos do grupo sejam mutuamente cooperantes, conhecer a fundo os processos de trabalho, participar na modificação ou reajustamento do processo sempre que o grupo sinta necessidade. Ele contribuirá, ainda, activamente para, a resolução de conflitos, e ajudará o grupo a ajustar-se à mudança e condicionantes do processo.

Ao desempenhar tais tarefas há, igualmente, que estar atento a alguns elementos fundamentais, como problemas de natureza pessoal e afectiva de um indivíduo e a sua influência no seio do grupo e na sua produtividade, aos efeitos que o grupo exerce no comportamento individual, ou ainda a comportamentos e atitudes mais específicas de alguns indivíduos como, dependência, submissão, apatia, medo, hostilidade ou agressividade.

O Formador deve , como facilitador e animador do processo ensino – aprendizagem, estar atento á manutenção da estrutura do grupo e dos seus objectivos de formação, estimulando a unidade, a interacção e a comunicação.

Para Ramos ( 1992 ) ” A arte de condução do grupo de formação exige que os formadores pensem em termos de indivíduos, de grupo-classe, da organização do sistema de formação e tudo o que diz respeito às suas relações.” ( Pág.13)